titulo  
_Abadia dos Dourados

 

_Araguarí
_Araxá
Introdução_
Igreja Espírito Santo do Cerrado
  _Campina Verde
Objetivos Gerais_
_Campo Florido
Objetivos Específicos_ _Conceição das Alagoas
Metodologia_ _Conquista
Equipe Executora_ _Coromandel
Iniciação Científica_ _Estrela do Sul

 

_DOCOMOMO

International working party for documentation and conservation of buildings, sites and neighbourhoods of the modern movement

_

Imagem do edifício/situação

fonte: arquivo Núcleo Pesquisa
data da imagem: Nov/2008

1. IDENTIDADE DO EDIFÍCIO/GRUPO DE EDIFÍCIOS / CONJUNTOS URBANOS / PAISAGEM / JARDIM

nome do edifício: Igreja Espírito Santo do Cerrado
variante ou nome anterior:
endereço: Avenida dos Mognos, 355 - Bairro Jaraguá
cidade: Uberlândia
estado: MG
cep: 38413-075
país: Brasil
national grid reference:
classificação/tipologia: Igreja - REL
estado de proteção e data: Tombamento homologado em 09/05/1997 (E) pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado de Minas Gerais e Tombamento pela Lei Municipal numero 5207 de 27/02/1991 (E).

2. HISTÓRIA DO EDIFÍCIO

proposta original: Igreja, Centro Comunitário e Casa Paroquial (com dependências para três religiosas) para Ordem Franciscana e comunidade do bairro Jaraguá da cidade de Uberlândia, Minas Gerais.
datas: projeto/obra/inauguração: Projeto de 1975 (E); construção de 1976 a 1982 (E) e inauguração em 06/10/1985 (A).
autor do projeto e colaboradores: Arquiteta Lina Bo Bardi, com a colaboração dos arquitetos Marcelo Carvalho Ferraz e André Vainer.
outros associados ao projeto: “Conselho de construção”, formado por moradores; Organização alemã Adveniat, sediada em Essen, a qual doou fundos para a realização do projeto, Ordem Franciscana (Comissariado franciscano de Nossa Senhora de Fátima do Brasil) e Edmar de Almeida.
alterações significativas com datas: Ao longo dos anos a estrutura da igreja sofreu uma série de intervenções, por razões de segurança, conservação, alterações estéticas e de usos e complementos à proposta original.
Igreja: Aplicação de massa no interior sobre os tijolos aparentes e pintura de tinta cor branca; fechamento das aberturas de ventilação e iluminação em toda a extensão da parede; construção de um cômodo atrás do altar a partir do acréscimo feito no painel de tijolos no fundo do altar, revestido em massa e pintado com tinta branca; pintura do piso; revestimento do piso do altar de tijolos com cimento queimado; instalação de luminárias; aplicação de placas de madeira na porta principal, antes de treliça; colocação de pilares em madeira para escoramento da cobertura que apresentava rachaduras e instabilidade estrutural; no inicio de 2008 é feita a substituição de peças da estrutura da cobertura e retirada deste escoramento; instalação de caixas de som.
Moradia: Substituição do uso para administração da igreja; substituição da porta da administração; instalação de forro em madeira; colocação de divisórias na atual secretaria; instalação elétrica; construção de um depósito e banheiro no subsolo deste nível.
Salão e área externa: ampliação da cobertura da churrasqueira; substituição do fechamento a meia altura de bambu por madeira roliça de piso a teto; substituição do chão batido por piso em cimento queimado; substituição da grama do campo por piso em placas de concreto; fechamento do terreno com muro e grade desde o antigo campo até o acesso principal; instalação de guarda-corpo no nível mais elevado até o acesso principal.
uso atual: Paróquia Divino Espírito Santo - Igreja e centro comunitário pertencente à Ordem Secular.
estado de conservação: Bom (IEPHA-MG)

3. DESCRIÇÃO

descrição geral: O projeto foi encomendado por Frei Egydio Parisi e Frei Fúlvio Sabia em 1975 e sua construção é fruto do trabalho coletivo da comunidade e profissionais envolvidos. O conjunto da Igreja é organizado em quatro níveis: o mais alto guarda a área de celebração (esquina da Avenida dos Mognos e Rua das Mangabeiras), o segundo a moradia para três religiosas e administração, o terceiro um salão para festividades e reuniões e o quarto e mais baixo a quadra de futebol, que está localizada na esquina da Avenida dos Ipês e Avenida dos Mognos. O programa é organizado em três volumes principais com formas curvas e conectados. O acesso à Igreja se dá pela Avenida dos Mognos, onde uma entrada principal distribui o fluxo para os três níveis.  O volume central, onde está a moradia das religiosas possui um pequeno claustro, para onde estão voltadas as janelas dos quartos. Na porção mais alta do terreno está localizado o campanário sem sino.
construção: o sistema construtivo utilizado para a edificação do conjunto é misto de alvenaria estrutural, concreto armado, madeira e aço. Foram utilizados materiais do próprio local: tijolo de barro e estrutura portante de madeira, aroeira da região. No interior da Igreja, sustentando a cobertura, foi adotado o sistema de estrutura de madeira em forma de pórtico e para o fechamento do edifício estrutura em concreto armado. A vedação é em tijolo maciço sem acabamento especial e sem reboco, a cobertura é em telha de barro do tipo “capa canal”, assentada sobre engradamento de madeira, e telha translúcida de vidro na região do altar mor. O piso é em pedra portuguesa de um granito de cor avermelhada. A casa paroquial está edificada em alvenaria e concreto armado, o piso é em tabuado corrido e cimento queimado, as paredes internas receberam reboco pintado na cor branca.   No salão de festa foi também adotado o sistema estrutural em madeira para a cobertura e bambu (substituído por aço e madeira) no fechamento e o piso em chão batido (substituído por cimento queimado).
contexto: Os três volumes, a igreja, a casa paroquial e o centro comunitário, em partido circular, acompanham o declive do terreno e criam movimento na fachada. Explorando este declive, o “arquiteto” estabelece uma hierarquia, implantando a igreja na cota máxima e com maior volume. O conjunto está situado em um bairro de periferia próximo a um quartel militar, que é a principal referencia do bairro, privilegiando a vista para o centro da cidade; o entorno, corresponde a 55% da área não edificada do terreno e é composto por jardins, acessos principais e secundários e um campo de futebol.

4. AVALIAÇÃO

técnica: No interior da Igreja existe uma estrutura de madeira da região (aroeira) em forma de pórticos. O sistema de iluminação interna da Igreja com aberturas mínimas na parede circular de fechamento e as telhas translúcidas de vidro na região do altar mor. Hoje, após uma série de intervenções, a Igreja passou por um processo de restauração de sua estrutura, com a substituição de peças da estrutura de madeira da cobertura, acompanhada pelo órgão responsável (IEPHA). Alguns aspectos do projeto original necessitam ser conservados para que o edifício cumpra sua função social e espacial, como as aberturas no corpo da igreja, os quais deixaram de existir, a jardineira circundando o telhado da igreja onde deveria crescer vegetação do cerrado e que não funciona por problemas de manutenção e os aspectos construtivos aparentes que possuem influência maior do que física e estética. Embora tenha ocorrido já uma reforma no telhado da casa paroquial existe um problema de infiltração de água das chuvas que ainda não foi resolvido. O pátio interno da casa paroquial também precisa de  reparos para resolver um problema de caída d’água, pois a água da chuva empossa neste espaço e entra para o interior da casa paroquial. 
social: A igreja possui uma abrangência local forte, atendendo aos moradores e festividade do bairro. O uso dos espaços sofreu transformações. As celebrações continuam ocorrendo periodicamente, os três quartos não são mais utilizados como dormitório. O campo é pouco utilizado para o esporte e isso se deve, em grande parte, à troca da grama por piso e o uso freqüente deste espaço para feiras promovidas pela igreja.
cultural e estética: A maior parte das intervenções agride esteticamente o edifício, além de enfraquecer o caráter público e aberto original com as grades e muros. O espaço da igreja abriga festividades locais do bairro e a celebração das missas.
histórica: Conjunto arquitetônico simples e de grande teor “expressionista” projetado pela arquiteta Lina Bo Bardi em um trabalho que explora as características presentes no cerrado e leva em conta a possibilidade de execução da obra pela comunidade local. É importante destacar que esta é a única obra de Lina Bo Bardi em Minas Gerais, justificativa principal para seu tombamento. Obra significativa na produção “do arquiteto”, que se desenvolveu segundo os princípios da arquitetura moderna, na busca de uma identidade cultural da arquitetura brasileira . Obra relevante da arquitetura moderna na cidade e reconhecida nacionalmente e internacionalmente. A sua importância internacional provém, além da qualidade expressiva da obra, ao fato de ser “o arquiteto” reconhecida por sua atuação como agente cultural e trabalhar com a linguagem da arquitetura moderna recuperando técnicas primitivas de construção. Essas técnicas contribuíram para a construção em mutirão. O Bairro Jaraguá não é mais o mesmo de quando a igreja foi construída. Muitos moradores são novos, as ruas recebem maiores fluxos e o projeto de Lina Bo Bardi permanece como centro de reuniões comunitárias. Acredita-se que a conservação da espacialidade, materialidade e uso deste espaço garante o cumprimento de sua função na comunidade.
Mobilização pró-preservacao e recuperação: a mobilização em favor da preservação da Igreja Espírito Santo do Cerrado começou em 1994 a partir de estudos, realizados pelos alunos do então Departamento de Artes Plásticas da Universidade Federal de Uberlândia, sobre a obra de Lina Bo Bardi, detectando que a Paróquia Divino Espírito Santo pretendia fazer uma reforma no conjunto arquitetônico e que o projeto já se encontrava nas mãos de um arquiteto da cidade. Após esses relatos, o Departamento de Artes entrou em contato como Instituto Lina Bo Bardi e P. M. Bardi propondo a vinda para Uberlândia da exposição de arquitetura “Lina Bo Bardi”, que na ocasião percorria várias cidades do Brasil, na intenção de conscientizar a população do valor de sua obra na cidade e dar assim início, juntamente com o IAB - Núcleo Uberlândia, ao processo de tombamento da obra. A exposição aconteceu em 1995, realizando em sua abertura uma mesa redonda da qual participaram membros da comunidade, do IEPHA, do IAB – núcleo Uberlândia, do Instituto Lina Bo e P. M. Bardi e da Universidade Federal de Uberlândia. A exposição ressaltou a importância da obra de Lina Bo Bardi na cidade de Uberlândia. Em 18 de março de 1996 foi realizado pelo Instituto Lina Bo Bardi juntamente com o pároco Rui Vieira, um documento contendo a discussão das seguintes propostas para conservação da igreja: projeto do salão paroquial para atender as necessidades do novo uso, ajuda do Instituto para o conserto dos telhados e estruturas de madeira e reconstituição do projeto original. O conserto do telhado realizado não resolveu os problemas da queda d’água das chuvas continuando as infiltrações e as modificações realizadas no interior e a reconstituição do projeto  original da igreja não foram realizadas. O tombamento Estadual foi oficializado pelo IEPHA/MG em 18 de março de 1997. Existe hoje um projeto de restauro elaborado pelos arquitetos Marcelo Ferraz e André Vainer que se encontra em processo de estudo para implantação.
general assessment: O trabalho conjunto entre arquiteto e mão-de-obra e o emprego de materiais do próprio local buscou uma experiência que segundo Lina  tinha como propósito mostrar a possibilidade de produção habitacional ao alcance econômico do povo e realizada com a colaboração do mesmo. O conjunto arquitetônico muito simples que revoluciona o espaço sagrado adequando-o uso dos habitantes de periferia traz também questões revistas pela arquitetura moderna italiana de trabalhar com materiais da região, unindo tradição e modernidade trazendo uma nova proposta para arquitetura moderna brasileira.

5. DOCUMENTAÇÃO

referências principais:
Arquivo do Instituto Lina Bo e P. M. Bardi. São Paulo.
Arquivo da Igreja Espírito Santo do Cerrado. Uberlândia.
BARDI, Lina & ALMEIDA, Edmar de. Igreja Espírito Santo do Cerrado – 1976/1982.  Marcelo Carvalho Ferraz (coordenação). Lisboa: Blau. 1999.
FERRAZ, M. (Org.). Lina Bo Bardi. São Paulo: Empresa das Artes, 1993
material visual anexado: Desenhos técnicos e fotografias
pesquisadores/data: Ariel Luis Lazzarin / abril de 2008

6. EXAME DO RELATÓRIO

nome do revisor: Maria Beatriz Camargo Cappello
data do preenchimento: novembro 2008
aprovação:    
comentários:

7. ANEXOS

Planta

Figura 01: Planta.

Fonte: BARDI, Lina & ALMEIDA, Edmar de. Igreja Espírito Santo do Cerrado – 1976/1982.  Marcelo Carvalho Ferraz (coordenação) Lisboa: Blau. 1999.

Elevacao

Figura 02: Elevação.

Fonte: BARDI, Lina & ALMEIDA, Edmar de. Igreja Espírito Santo do Cerrado – 1976/1982.  Marcelo Carvalho Ferraz (coordenação) Lisboa: Blau. 1999.

 

_Frutal
_Ituiutaba
_Monte Alegre de Minas
_Monte Carmelo
_Patos de Minas
_Patrocínio
_Prata
_Rio Paranaíba
_Sacramento
_Tupaciguara
_Uberaba
_Uberlândia